quinta-feira, 10 de maio de 2012

Prefiro esbanjar emoções. Mesmo que doa. Mesmo que, um dia, eu possa me arrepender. Meus arrependimentos duram pouco, alguma coisa me cutuca e diz olha, que bom que você fez. Que bom que você teve coragem. Que bom que você sente. Que bom que você tenta. Tentar é se arriscar. E tudo na vida tem metade de chance de dar certo. E a outra metade? De dar errado. Mas não é poupando que você saberá. — Clarissa Corrêa. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Otária

O.tá.ria: fem. sing. de otário.

No meu caso, pessoa que faz tudo certo e só se fode. Que corre atrás, que se expõe, que bota sentimento até nas pequenas coisas porque acha que é assim que deve ser feito e só se fode, que não engana e não mente, que não puxa o tapete dos outros e só se fode. Que confia no ser humano e só se fode. Que vê a porra do mundo de cabeça pra baixo, vê e presencia valores invertidos, que não se contamina com essa doença escrota do mundo e só se fode. E que não se falsifica e vai até o fim sendo quem é. Mesmo que se foda.

Só pra deixar registrado: 
Não sei o que eu tenho na cabeça 
Minha anatomia é torta 
E eu nasci sendo toda coração 
Não é possível
Forja a felicidade pra se fortalecer da porra da minha tristeza. Pra quê? Não vou pagar pra ver de novo. Já vi muito mais do que precisava e merecia. Devia ser proibido fazer mal a que só te quer bem, não é mesmo? Tanta gente por aí eu eu insistindo nadar nesse mar sem fim e sem luz. O quão perseverante eu devo ser? Ou, o quão corajosa eu devo ser pra ir embora? É isso que você quer né? Pois se não é, realmente parece. E se for, é só mandar. Me jogo do abismo, me estraçalho, me quebro e sangro inteira, mas quando eu vou embora é pra nunca mais voltar.
Um remédio, um porre e quem sabe até um outro alguém pra me curar de você.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sabe o que acontece? É que eu não faço a mínima ideia de como ler mentes. E se esse poder eu tivesse, acho que muito pouco usaria. Queria tanto que você me dissesse o que fazer, me desse uma direção qualquer ou que até mesmo me mandasse embora. Eu iria. O problema é que você não fala e a comunidade de minhocas da minha cabeça fica sedenta para que eu as alimente. Eu super entendendo que a gente não escolhe quem gostar e que raramente o universo acerta e faz com que a gente goste de quem vai gostar da gente ou que já gosta. É complicado. Eu vou continuar gostando de você, me doendo e me doando inteira, assim como faço sempre, colocando tudo de mim em cada pouco. Mas um dia, eu sei, vai parar de doer, vai cicatrizar e eu vou saber lidar bem com tudo isso. Se eu perdoo? Já perdoei faz tempo, vingança não leva ninguém a lugar algum. What goes around comes around, não é assim?
"Não tem como escapar. Se você embarcou na coisa, tem de ir fundo, mesmo que fundo seja o fim."

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Desistir é sempre uma opção. Quem diz que não desiste porque não pode é porque está vivendo de martírio, porque está preso e se sente na obrigação de não abrir mão. A porta tá aberta e eu não vou desistir porque EU não quero, posso muito bem escolher entre as opções que me são oferecidas. Dói, e eu sinto doer cada vez mais, mas eu continuo... não porque preciso e sim porque eu quero. Posso sair na hora que eu bem entender, não disse que a porta estava aberta? Se eu continuo dando soco em ponta de faca é porque eu tenho motivo. E é esse motivo que me faz oscilar entre tentar mais uma vez e cair fora. Vale a pena estar aqui? Contemplando essa visão bucólica e sádica do abismo? Por enquanto... vale sim. E é por isso que eu tenho vontade de chegar todo dia de manhã e dizer o quanto eu me importo, o quanto eu quero bem, o quanto eu quero pra mim. Mesmo que você não me escute, não me entenda e nem valorize. Faço - principalmente - por mim. Faço porque eu quero, porque eu desejo. Levo esperança em uma mão e sonhos na outra. Um peito aberto e um coração sangrando.
"Sorria, brinque, chore, beije, morra de amor, sinta, sonhe, grite e, acima de tudo, viva. O fim nem sempre é o final. A vida nem sempre é real. O passado nem sempre passou. O presente nem sempre ficou e o hoje nem sempre é agora. Tudo o que vai, volta. E se voltar é porque é feito de amor."

terça-feira, 1 de maio de 2012

Deixar partir

Tanta coisa me lembra você, chega a ser bizarro e engraçado ao mesmo tempo. Palavras, músicas e por incrível que pareça, até tomate e açaí. Te vejo em tanta gente. Na verdade, acho que te procuro sem nunca achar. É difícil não me importar com tudo que leio e vejo por aí. Não que a sua felicidade me incomode, o que incomoda é ela não ser dividida comigo, como eu gostaria ( MUITO ) que fosse. Por você eu seria capaz de virar o mundo de cabeça pra baixo e ir até o final do final, até as últimas consequências só pra te ver sorrir e me abraçar. Mas hoje, resolvi fazer as malas... Elas estão ali num canto, prontas e fechadas. Estourando de tudo que eu sou e coloquei lá dentro pra levar comigo, malas cheia de lembranças, frases ditas e não ditas, olhares trocados e lágrimas, que andam me acompanhando com tanta frequência que decidi levá-las também, são partes de mim. Há algumas horas atrás eu jurei de pés juntos que estaria prestes a partir. Agora nem eu sei mais. Como boa canceriana de merda que sou, tô sendo papel principal de uma luta interna travada entre o meu orgulho e o tanto que eu te quero, e sinceramente, não sei o que fazer. Meu orgulho me diz pra jogar tudo isso pro alto e ir embora de uma vez enquanto o querer-te tanto bem diz pra eu não desistir. Não me vejo como uma desistente, só não aguento mais levar porrada o tempo todo e sorrir como se nada estivesse acontecendo. Uma hora a armadura vai cair. Ou eu vou explodir antes que isso aconteça. Então o melhor é ir embora né? Partir sem olhar pra trás. Rezando pra um dia você se encontrar e perceber que o que falta em você sou eu? É. Não sei mesmo o que eu tinha na cabeça quando pensei que fosse dar em alguma coisa, que seria diferente dessa vez. Que a minha coleção de cicatrizes não aumentaria. Que as pessoas fossem ser boas pra mim só porque eu queria que fossem. Mas eu continuo fazendo parte desse mundo louco, eu só não vou me adaptar nunca, o mundo tá doente e eu não quero estar também. Enquanto isso eu espero sentada em cima das malas, como quem espera um trêm que nunca vai chegar. Como quem espera por um último suspiro. O suspiro que vai me fazer partir ou ficar. E quem decide agora é você.
Sempre disse que escrevo para não gritar, mas gritar era o que eu mais queria agora. Botar pra fora tudo isso que me fazer arder e queimar por dentro, e quem sabe até achar um caminho. Ainda que todos eles me levassem a você, como tem sido. Poderia doer menos né? A verdade é que eu estou estraçalhada. E nem por isso eu deixei de querer e lutar e infelizmente, por mais que me doa eu só consigo te querer cada vez mais.